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Cuidados

Quedas de idosos podem ser evitadas com alguns cuidados

Autor: Flávia Oliveira Pinto*

A queda é uma das principais responsáveis pela perda de autonomia e independência do idoso. Segundo Moraes e Megale (2008), queda é a mudança súbita, não intencional, do corpo em direção ao solo. Estudos revelam que seu número aumenta progressivamente com a idade, em ambos os sexos, porém sua frequência é maior em mulheres do que em homens da mesma faixa etária.

Inúmeros fatores de risco de quedas têm sido descritos em estudos. As alterações relacionadas à idade, doenças (fatores intrínsecos) e meioambiente inadequado (fatores extrínsecos) podem predispor à queda. Os fatores intrínsecos constituem: alterações fisiológicas do envelhecimento (baixa acuidade visual e auditiva, distúrbios vestibulares, alterações dos barorreceptores, distúrbios músculo-esquelético, degenerações articulares e fraqueza muscular, sedentarismo e deformidades dos pés); doenças específicas (cardiológicas, neurológicas e endócrino-metabólicas) e medicamentos.

O uso de vários medicamentos ao mesmo tempo e a interação entre eles pode gerar efeitos colaterais importantes que predispõem às quedas. Os fatores extrínsecos ou ambientais têm contribuição significativa. A maior parte da quedas acontece no domicílio, devido a inadequações. Pouca iluminação, tapetes soltos ou com dobras, superfícies escorregadias, degraus muito altos ou estreitos, ausência de corrimãos, obstáculos no caminho (móveis baixos, objetos pequenos, fios), calçados inadequados e via pública com irregularidades representam alguns dos fatores de risco extrínsecos.

Grande parte dos idosos tem pelo menos um episódio de queda por ano. As quedas são responsáveis por morbidades e mortalidades frequentes. Têm como consequências fraturas e ferimentos importantes, necessitando de cuidados médicos e possibilidade de episódios recorrentes de quedas. Podem gerar um significativo declínio funcional nas atividades de vida diária e nas atividades sociais. O idoso que apresenta episódios recorrentes pode limitar muito sua vida por medo de cair. Cria-se um círculo vicioso de incapacidade e medo, que faz com que o idoso perca parte de sua independência. Pode-se, também, desenvolver a síndrome de imobilidade, em que o idoso deixa de andar por medo de cair, restringindo sua vida e tornando-se sedentário.

Diante da gravidade das quedas para o idoso, torna-se imprescindível o controle e a prevenção. As medidas de prevenção e controle incluem:

• Orientação aos idosos e familiares quanto aos riscos de quedas e sua prevenção;

• Avaliação geriátrica global;

• Boa iluminação no domicílio. À noite, iluminação suficiente para clarear toda a superfície da marcha e trajeto (quarto, corredor e banheiro);

• Colocação de piso antiderrapante;

• Evitar tapetes soltos, móveis baixos e obstáculos espalhados no centro da casa;

• Evitar encerar o piso;

• Evitar chaves na porta do banheiro, local de acidentes freqüentes;.

• Instalação de barras de apoio no banheiro próximo ao vaso sanitário e dentro do box do chuveiro;

• Instalação de corrimãos nas escadas;

• Colocação de objetos, utensílios e mantimentos em locais de fácil acesso;

• Não subir em banquinhos;

• Cama e cadeiras com alturas apropriadas, de forma que os pés permaneçam apoiados no chão quando sentado;

• Utilização de calçados adequados e antiderrapantes;

• Não utilização de medicamentos sem autorização médica;

• Prática de atividade física regularmente e com orientação médica.

Tratando-se de um evento de causa multifatorial, é de fundamental importância para o controle e a prevenção das quedas, uma abordagem multidisciplinar, visando manter a capacidade funcional do idoso e, consequentemente, sua independência e autonomia.

* Flávia Oliveira Pinto é Terapeuta Ocupacional do HPT, especialista em Gerontologia

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